Fonte: Rd News
Andre Bellucci
Em 2009, quando eu iniciei a minha primeira turma como instrutor do treinamento Dale Carnegie, solicitei que um jovem que se sentava a frente ficasse em pé e fosse o primeiro a se apresentar aos demais. Ele era tímido, e eu já havia percebido que também gaguejava quando falava. Mesmo assim eu acreditava que ele deveria ser o primeiro a falar.
Quando a sessão se encerrou outro trainer que me acompanhava se aproximou e perguntou se eu não havia percebido que o rapaz em questão era gago, me perguntou por que eu não comecei com outra pessoa. Afinal eu corri o risco de constranger um participante na frente de toda a turma. Naquele momento ainda cheio de entusiasmo respondi: “Ele não é diferente de ninguém, e de qualquer maneira ele teria que se apresentar mesmo”. Mais tarde, em casa pude perceber que realmente havia corrido um risco ao fazer aquilo, mas, graças a Deus havia dado tudo certo.
Chegada a segunda sessão do treinamento, esse participante nos relatou que havia ficado um ano a mais na faculdade de direito por conta da gagueira, disse que todas as vezes que havia um trabalho que era necessário falar em publico ele simplesmente entrava em pânico, e por algumas vezes tinha até dor de barriga. Convidei-o então a se desafiar durante o treinamento frente à sala, afinal ali ninguém iria criticá-lo. Quando já estávamos na quinta sessão, antes de uma apresentação, pedi que ele fosse até a frente e falasse com o máximo de entusiasmo e energia, e que não se preocupasse em controlar a respiração ou fazer qualquer outra coisa para gaguejar menos, era apenas para ele fazer o seu melhor. Então, o mesmo caminhou até a frente e falou de suas convicções por dois minutos, naquele dia e partir daquele momento, esse participante não gaguejou mais durante uma apresentação do que qualquer pessoa que nunca foi gaga na vida.
Na sua formatura ele se levantou e disse que o fato de estar ali na frente conversando com sessenta pessoas que não conhecia era a prova que o treinamento o havia ajudado, ele havia progredido mais em 12 semanas sendo incentivado a falar em publico do que em seis anos de faculdade sendo incentivado a não falar. Quando terminou a sua apresentação foi o primeiro participante a ser aplaudido de pé por todos os demais participantes do treinamento. Todos nós estávamos arrepiados com a sua evolução.
Historias como essas acontecem todos os dias, acredito que poucas se tornam publicas. O objetivo de contar esta aqui é para que possamos perceber o que o incentivo verdadeiro e sem preconceitos pode fazer por uma pessoa, o elogio a cada progresso e a admiração da turma a cada apresentação que aquele participante fazia, o ajudava a sentir-se mais autoconfiante e importante. E gradativamente o fazia um orador melhor. Naquela sala e com aquela turma ele só tinha a preocupação de ser melhor do que ele mesmo na apresentação anterior, sem criticas ou condenações.
Se você deseja ser mais autoconfiante compare-se apenas a você mesmo. Veja de que ponto você começou e como esta hoje, avalie o seu desempenho e se encoraje a ser melhor a cada dia. Entenda que poucos fracassos no ano não podem sobressair sobre o sucesso conseguido. Aprenda que como individuo você vai errar. O importante é continuar e dar o seu máximo a cada dia. Para fechar esse artigo vou parafrasear a mãe do participante que era gago, que no dia da formatura escreveu para ele em um papel. “Quem faz tudo que pode, faz o máximo, e eu me orgulho de você”.
André Luiz Bellucci é empresário, trainer da Dale Carnegie Training em Cuiabá e escreve neste blog todo sábado -engbellucci@uol.com.br
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