terça-feira, 6 de setembro de 2011

Opinião: Cuiabá e a Copa de 2014

AQUINO CORRÊA
Desde o anúncio oficial, em 31 de maio de 2009, do nome das cidades que sediarão os jogos da Copa do Mundo de Futebol Fifa-2014, uma verdadeira euforia tomou conta de Mato Grosso e de Cuiabá, em particular. Não sem razão, pois trata-se, juntamente com os Jogos Olímpicos, um dos maiores eventos esportivos do mundo. 

Portanto, estar entre as doze cidades brasileiras sedes da Copa do Mundo-2014 é uma coisa importantíssima. Desde então, multiplicaram-se expectativas e previsões, especialmente em relação aos aspectos econômicos que advirão com este grande evento, em especial na área do turismo regional. Para atender tais expectativas, grandes investimentos, públicos (mais) e privados (menos), já estão sendo alocados na infra-estrutura da cidade e da região, especialmente no setor de transporte público, com vistas a atender as exigências da Fifa. 

Mas será que tais expectativas não estão muito além da realidade, exageradas, talvez? Vamos considerar alguns fatos que o noticiário sobre o assunto e as declarações oficiais costumam ignorar, mas que estão mais próximos da realidade do que se imagina - e que podem frustras eventuais expectativas otimistas demais, seja lá de quem for. 

Vamos lá: tomando-se por base as últimas edições do evento, em especial a Copa do Mundo África do Sul-2010, a Copa do Mundo Brasil-2014 terá a participação de 32 seleções, que serão divididas em oito grupos de quatro equipes. Como serão oito grupos para 12 cidades-sede, é de se pensar que alguns grupos terão jogos em duas ou mais cidades, como deverá ser o caso de Cuiabá. Acredito que a capital mato-grossense sediará um dos grupos, juntamente com Brasília, por serem as duas únicas cidades do Centro-oeste onde se realizarão jogos da Copa-2014. 

Então, vejamos: Cuiabá e Brasília deverão sediar os jogos de um dos grupos; cada grupo terá quatro equipes e seis jogos (três jogos para cada seleção na fase de classificação, ou fase de grupos). Se serão seis jogos por grupo, em duas cidades-sede, é de se pensar também que cada uma delas sediará três jogos. 

Esta primeira fase dura no máximo duas semanas, sendo que na Copa-2010, os jogos do grupo A, por exemplo, começaram no dia 11 de junho (abertura da Copa) e terminaram no dia 22 (11 dias). No grupo G, que teve a participação do Brasil, os jogos realizaram-se de 15 a 25 de junho (10 dias), enquanto que no grupo H, da campeã Espanha, foi de 16 a 25 de junho (9 dias). 

Portanto, a Copa-2014 em Cuiabá deverá durar, no máximo, 11 dias, considerando-se que a cidade, pela sua localização (distante), importância econômica e população (é a menor neste quesito), não deverá sediar jogos a partir da segunda fase (oitavas, quartas, semifinais e final). Em resumo: serão somente 10 ou 11 dias, apenas três ou quatro jogos. E só. Fim de papo. Será que vai valer a pena (mesmo) toda essa gastança? 

Bem, disso provavelmente só saberemos após o fim da festa. Mas acho - independentemente dos resultados econômicos esperados por quem quer que seja -, que este grande evento terá um aspecto muito (talvez o mais) importante: a melhoria da infra-estrutura urbana de Cuiabá, que está pelo menos 30 anos atrasada em relação às outras três congêneres do centro-oeste (Goiânia, Campo Grande e Brasília). 

Este será o grande legado da Copa do Mundo-2014 em Cuiabá. Creio que os demais aspectos passarão com a mesma velocidade do veículo leve sobre trilhos (VLT): durarão apenas alguns momentos ou, mais precisamente, alguns poucos dias. Muitos podem não concordar, mas alguém se lembra de Polokwane ou Nelspruit? 

Pois é, estas duas cidades da África do Sul sediaram jogos da Copa-2010 (quatro cada uma), na fase de grupos. Se valeu a pena, só os locais podem dizer, mas o fato é que hoje, pouco mais de uma ano depois do evento, ninguém mais se lembra delas. 

AQUINO CORRÊA é escritor, articulista e fiscal de Tributos estaduais da Sefaz/MT.
aquinocorrea_2006@yahoo.com.br
 

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